26 de jun. de 2014

Os prêmios da Copa do Mundo

Foram 48 jogos, em 12 cidades com participação de 32 seleções por terras brasileiras na primeira fase da Copa do Mundo 2014. A Copa dos Copas (no campo)! Tem alguma coisa no ar brasileiro, só pode. Revelamos Pelé e Garrincha, além de Zico, Socrátes, Falcão e Ronaldo, maior artilheiro do mundial. E muitos outros.

Agora, pela segunda vez recebendo os principais craques do mundo, damos a eles altas temperaturas, mudanças de clima, longas viagens e gramados não muito bons. Ainda assim temos uma das melhores copas do mundo. Tem alguma coisa no ar aqui!

Uma primeira fase de fazer inveja a Alemanha-2006, que organizou melhor a competição. Vamos aos prêmios da Copa até agora.

MELHOR JOGO | Uruguai 2 x 1 Inglaterra
Futebol é apaixonante por dois motivos. Pela técnica e pela mística. A primeira é quando vemos um time bem treinado, com excelentes jogadores e um craque a la Messi, Neymar e Cristiano Ronaldo em campo. O segundo é o contexto, histórias e garra mostrada em campo. Esse jogo teve os dois. Demonstração de técnica dos dois times, o craque Suarez fazendo dois gols, a sobrevivência do fantasma de 50 com um gol perto do fim, Alvaro Pereira querendo voltar depois de levar uma pancada na cabeça, lances de perigo e a garra dos uruguaios até o fim do jogo.

MELHOR PERFOMANCE GRUPO | Holanda em Holanda 5 x 1 Espanha
O mundo esperava a revanche da final da Copa de 2010, e esperava a vitória da Espanha, mesmo em jogo apertado. Pois viram a precisão nos contra-ataques da Holanda, um show de Robben e Van Persie, com direito a golaço e execução perfeita de uma tática de jogo. Lembre-se: A Holanda só tomou um gol, pois foi marcado um pênalti mandrake para os espanhóis.

MELHOR PERFOMANCE INDIVIDUAL | Van Persie em Holanda 5 x 1 Espanha
É mais lógico votar em um jogador que veio da melhor performance de grupo. Ainda mais pensando que outros jogadores que fizeram boas partidas, as fizeram contra times mais fracos, como Benzema contra Honduras e Neymar contra Camarões, por exemplo. O atacante holandês deu um show contra a atual campeã mundial. Por que não Robben? Boa pergunta, que eu não sei responder. Só sei que o Van Persie fez o gol mais bonito do jogo, e que eu gosto de jogador que pressiona a defesa e rouba a bola no campo de ataque.

MELHOR TORCIDA | México
Os torcedores sul-americanos estão dando shows, mas não tanto como o México. Um país mais distante, logo mais difícil de sair de lá e vir para cá, do que Chile, Argentina e Colômbia. Não só isso. No primeiro jogo, o México brincou com os brasileiros no estádio com gritos, perguntado: “Como é jogar em casa, mas fora de casa?”. Eles intercalavam gritos de ‘México’, nos gritos de ‘Brasil’. Eles vieram fantasiados de personagens de chaves. Eles têm sombreiros. Eles fizeram isso. https://www.youtube.com/watch?v=oJ7xhXNNRo0 Eles foram proibidos de gritar ‘Puto’ quando o goleiro bate o tiro de meta, e responderam gritando ‘Master’, ‘Pepsi’, e outras concorrentes de patrocinadores da Copa. Eles não cantam ‘Eu sou mexicano, com muito orgulho, com muito amor’. Eles são a melhor torcida.

CRAQUE DA COPA | Messi
Desculpa, eu não vou conseguir votar em outro a não ser aquele que decide os jogos. A Argentina está 100% na Copa, graças a Messi. Ele não precisou dar show. Ele só precisou receber bem a bola algumas vezes para decidir as partidas. Eu queria muito votar em Robben ou em Jamie Rodriguez da Colômbia, mas não vou conseguir.

MAIOR DECEPÇÃO EQUIPE | Bélgica
“Fiquem de olho na Bélgica, eles têm uma ótima geração de jogadores”. Verdade! O que levanta a questão: O que acontece com esse time? Esse que ouviu gritos de ‘time sem vergonha’... de brasileiros! E que na última rodada fez as televisões preferirem passar Argélia x Rússia, ao invés de Bélgica x Coréia do Sul.

MAIOR DECEPÇÃO INDIVIDUAL | Cristiano Ronaldo
Mas poderia ser Di Maria, Diego Costa, Iniesta, Rooney e Aguero. Ok, o CR7 veio machucado. Ainda assim, esperava-se mais dele.

O PERSONAGEM | Luis Suárez
Acho que se Freud estivesse vivo, ele conseguiria explicar o funcionamento da cabeça de Luis Suárez. Como um jogador que pode levar sua seleção ao título, resolve morder outro sabendo que pode ser punido, afinal, já pegou 10 jogos na Inglaterra por caso semelhante. Provocação? (Não conta para ninguém que eu disse isso) Nenhuma agressão física é válida, mas se for para provocar, que seja de uma maneira mais ‘normal’ dentro do futebol.  

ARENA MAIS AZARADA | Arena da Baixada
Recebeu o pior jogo da Copa, um zero a zero desgraçado entre Irã e Nigéria, além de Honduras x Equador, que terminou 2x1 mesmo tendo Honduras em campo, Espanha x Austrália, que seria bom, não fosse o jogo entre duas equipes eliminadas, além de Argélia x Rússia, que até foi emocionante. Sente o drama: Argélia 1 x 1 Rússia foi o melhor jogo de Curitiba!

ARENA MAIS SORTUDA | Fonte Nova
Teve um dos melhores jogos da Copa, Espanha x Holanda, além da aula de futebol da Alemanha, sete gols em um jogo no França 5 x 2 Suíça e Bósnia 3 x 1 Irã. Em qualquer outra Arena, esse último jogo terminava 0x0, mas em Salvador não!

PIOR PROBLEMA | Segurança
De tudo o que alardeavam sobre os problemas do Brasil para sediar a Copa do Mundo, a segurança foi a que se saiu pior. Falhas permitiram invasão de torcedores, quebra do perímetro de segurança, pessoas sendo assaltadas próximas ao estádio, cambistas atuando livremente, rojões dentro do estádio e outras pequenas coisas. Vale dizer que, pelo menos, não teve vítimas fatais e em outros lugares não tem registro de grandes problemas.

PIOR JOGO DA COPA | Irã 0 x 0 Nigéria
Um jogo que termina sem gols, já é broxante. Um jogo sem gols e sem craques, mais ainda. Um 0x0, sem craques, sem jogadores de alto nível, em meio a uma grande variedade de bons jogos (como estava acontecendo antes dessa peleja) não tem como não ser o pior.

TIME SURPRESA | Colômbia (e Costa Rica)
Tudo bem, tem três vitórias em um grupo fraco, do qual é cabeça-de-chave. Ainda assim, é de se levar em consideração que quando Falcão Garcia foi cortado, falavam que a seleção sul-americana seria carta fora do baralho. Pelo que tem jogado Jamie Rodriguez, e pelo bom futebol apresentado pela Colômbia, não descarto esse time. 

24 de jun. de 2014

Copa define filosofia de futebol


No livro Tática Mente, PVC conta a história das copas do mundo por meio das mudanças nos esquemas de jogo. O evento é destaque no livro pois as datas de criação (ou afirmação) das táticas acontecem em copas. É no maior torneio da FIFA que os olhos do mundo estão virados para o futebol, até para quem não gosta do esporte.

A dimensão do que acontece na Copa do Mundo é imensamente maior até do que a Liga dos Campeões. Jogadores medianos ficam famosos, craques viram estrelas e erros podem mudar as carreiras daqueles que os cometem. Quando se trata de time e da filosofia do futebol, também.

Desde sempre, os acontecimentos em uma Copa do Mundo moldam a forma de pensar dali para frente (vamos esquecer esquemas táticos a partir daqui). Depois do título da França em 1998, o importante era ter jogadores como Zidane. Simples, calmos e com passes precisos. Um jogador pensador, mas que não precisa ser um 10 clássico.

Em 2002, o Brasil mostrou para o mundo que a camisa pesa, e que a do Brasil enverga varal. Foi campeão novamente após vencer em 1994 e estar na final em 1998. Também deixou claro que sempre é preciso confiar no craque, mesmo que ele venha de uma contusão.

Em 2006, a Itália conquistou o título e elevou Cannavarro, um zagueiro, ao posto de melhor do mundo seis meses depois da Copa. A partir dali, o importante era a zaga e se previa o fim dos criadores de jogadas.

Em 2010, a posse de bola de repente passou a ser a estética mais importante. Quem tinha a posse de bola, ganhava os jogos... até 2010, quando a La Roja perdeu da Holanda. A derrota da Espanha para o Chile e a eliminação no segundo jogo matou o tiki-taka.

Tudo bem, não matou, mas deixou esse tipo de pensamento de futebol no seu devido lugar: só mais uma boa opção de jogo.

Quando o Barcelona venceu tudo o que pôde, e sempre com a maior posse de bola, somado com as conquistas da Espanha em duas Eurocopas e uma Copa do Mundo, os especialistas apontavam o tiki-taka como o jeito certo de se jogar futebol. Vamos trocar passes, pois se os adversários não têm a bola, não podem fazer gols. Acontece que times como a Holanda não precisam ficar tanto tempo com a bola para fazer gols.

O que nos reserva para 2014 é imprevisível. O pensamento sobre futebol confirmado pela Copa do Mundo no Brasil é dever do campeão.

Se for um time do continente americano, talvez seja considerado a importância da torcida, ou do clima. Se for a Alemanha, o trabalho a longo prazo pode ser a questão. Se for a Costa Rica, Colômbia ou Chile pode morrer o favoritismo e o equilíbrio no futebol, ainda mais em um ano com Atlético de Madrid campeão espanhol.


Não dá para saber, melhor conversamos de novo no dia 13 de julho. 

23 de jun. de 2014

A não lógica dos campeões mundiais


A Copa do Mundo no Brasil até agora surpreende. A média de gols alta desde 1970, vários exemplos de excelentes jogos na primeira fase e times surpreendo (para o bem ou para mal) e atrapalhando o bolão de todo mundo, como a Costa Rica e a Espanha, são alguns dos temperos do torneio.

Seguirá assim até o final? Veremos um campeão surpreendente no dia 13 de julho no Maracanã? Alguém vai ficar muito rico por apostar em uma zebra vencedora? Mesmo seguindo esse caminho até agora, não aposto todas as minhas fichas em uma Colômbia, Chile ou Costa Rica campeã. 

Copa do Mundo é muito difícil. E embora possa parecer que as apostas em seleções grandes segue uma lógica, eu digo o contrário. É justamente por não ter lógica nenhuma que eu acho que não teremos surpresa na final.

Sempre achei a Copa controlada pelos deuses do futebol, que só permitem grandes nações futebolísticas serem campeãs. Lembre-se: só existem oito campeãs mundiais! Sendo que duas só venceram em casa, Inglaterra e França, e uma não é campeã desde 1950, o Uruguai.

Hungria já jogou final, tendo o melhor jogador. A Suécia, jogando em casa, perdeu para o Brasil na final. Turquia e Croácia já foram semifinalistas recentes, sendo que hoje mal se classificam para Copa. A Romênia já foi candidata ao título. São vários exemplos, e várias surpresas. Mas quando se trata de ser campeão, ainda são poucos os que conseguem.

Nos últimos anos, mesmo as finais não têm surpresas. Em 1990 teve Alemanha x Argentina. Em 1994, Brasil x Itália. Quatro anos depois, Brasil x França. No Japão, a final foi Brasil x Alemanha. Na Copa seguinte, Itália x França. E Espanha x Holanda na última edição.

Já sei o que está pensando: “Ah, Espanha foi campeã nova. E poderia ter sido a Holanda”. É bom que isso tenha vindo a tona, para eu dizer: Se a Holanda for campeã, não venha me cobrar por esse texto. A Laranja está longe de ser uma campeã surpreendente. Aliás, está mais do que na hora deles levantarem a Taça FIFA.

Então, reitero: o campeão não será surpreendente! O que não vale muita coisa, já que nessa Copa a Espanha era favorita, a Costa Rica saco de pancadas, a Austrália galinha morta (e quase venceu a Holanda), o calor atrapalha a condição física e não teria muitos gols, a França sem Ribéry não assusta, Portugal e Alemanha iriam passar tranquilamente, a Argentina era o melhor time, o Brasil é favorito por causa do apoio da torcida... São tantos exemplos quebrados, que fica difícil tentar prever alguma coisa. Só sei que nada sei.

19 de jun. de 2014

Quem vai ser campeão da Copa

Eu sei quem vai ser campeão! Será o Brasil, pois assim como em 58 e 62, a seleção brasileira empatou o segundo jogo em 0x0. Se bem que em 2010 também fez 3x1 (Costa do Marfim) e 0x0 (Portugal), como neste ano, e acabou eliminado. E também nunca fomos campeões das Confederações e ganhamos a Copa do no ano seguinte.

Então, tenho a certeza que a Alemanha levanta a taça no Maracanã. Nunca um tricampeão demorou mais (e menos) de 24 anos para ser tetra. O Brasil venceu em 70, e 24 anos depois, em 94. Mesma distância entre 82 e 2006, no caso da Itália. Adivinha a diferença entre 2014 e 1990, ano do último título da Alemanha.

Pensando bem, a campeã vai ser a Argentina. Nunca o melhor do mundo no ano anterior foi destaque na Copa do Mundo. Messi ganhou quatro anos seguidos, menos, justamente, o ano passado, um antes da Copa. Messi destaque, Hermanos campeões.

Mas, lembrem-se, quando países sul-americanos sediam copas, a tendência é ter um bicampeão. Foi assim no Brasil, em 1950, e no Chile, em 1962. Então, as chances para França e Inglaterra são grandes.

E o fantasma do Maracanazo? Está escrito: o Uruguai só será campeão jogando em casa, ou jogando no Brasil. De preferência, sob clima de oba oba no país sede de 2014, e de 1950.

Esqueçam tudo o que eu falei. A campeã vai ser a Itália. Eu quase me esqueci dela, assim como todos os especialistas, estes que ignoram a Azzurra por não ter um time forte. Assim como fizeram em 1982 e 2006. Quando a Itália vem sem chances, acaba levando o caneco.


Não adianta mudar, está tudo escrito. Depois não diga que eu não avisei.

18 de jun. de 2014

Jogando fora de casa no Brasil

“O Brasil não tem os melhores jogadores, mas joga em casa”, alertam os torcedores para explicar o favoritismo da seleção na Copa do Mundo 2014. Mas o jogo de ontem mostrou uma realidade difícil de engolir. Existem times que podem mudar a lógica do jogo em casa.

Primeiro porque um dos aspectos de jogar em casa é estar no seu próprio campo, que você conhece. Pode parecer estranho e simples dizer: “todos os campos de futebol são iguais”, mas existe sim o conhecimento do gramado dos que estão acostumados a jogar nele.

Acontece que em Copa do Mundo o campo é o mesmo para todos. Os jogadores brasileiros não têm experiência nesses campos pois jogam na Europa, e porque alguns deles são novos.  

O fator campo morre, mas sobra a torcida, mais importante que o conhecimento do gramado. Entretanto, ontem tivemos um pouco do que pode acontecer nessa Copa do Mundo. Os mexicanos estavam em menor número, mas souberam torcer mais. Gritavam mais alto, tinham cânticos ensaiados e faziam uma festa maior, enquanto brasileiros ficavam no “eu sou brasileiro, com muito orgulho...”

Nas estreias de Chile e Argentina, minha sensação foi: “a Copa do Mundo está em festa não porque é no Brasil, mas porque é na América do Sul”. Os sul-americanos são apaixonados por futebol, e tem os jogos do mundial do lado de casa. Dá para ir de ônibus! E provavelmente vai demorar para Copa voltar ao continente. Foram necessários 36 anos de distância para o torneio voltar ao continente, entre a Copa da Argentina, em 1978, e a de 2014.

Se a final tão esperada aconteça em 2014, Brasil x Argentina, é possível que nossos hermanos tenham mais torcedores no Maracanã.

E se o Brasil chegar até lá! Pois a torcida precisa ajudar, e não conseguiu apoiar durante os momentos ruins nos dois primeiros jogos. E o grito dos torcedores podem mudar os jogos. Para lembrar duas conquistas brasileiras recentes, Corinthians e Atlético MG utilizaram a força das suas torcidas para vencer a Libertadores. Os jogos em casa eram uma festa, e não tenha dúvida que influenciou o resultado em campo.

O Brasil precisa disso, e até agora não teve. Por quê? Tenho duas hipóteses. Os torcedores presentes no estádio e a separação entre torcida e seleção brasileira.

A separação
Seja lá qual for o motivo (existem várias explicações para isso), o Brasil joga a maioria dos amistosos em terras estrangeiras. Londres e Estados Unidos, por exemplo, e países mais pobres, como questão de causa social.

Os jogos do Brasil no Brasil apenas em Eliminatórias, que esse teve esse ano. Isso causa uma separação entre torcedores e seleção. Fora que os jogos acontecem em pleno dia de trabalho, pela tarde. Não foram poucas as vezes que só descobri o resultado da partida ao chegar em casa.

Os torcedores não estão acostumados a torcer pelo Brasil e, por isso, em jogos aqui, não sabem muito bem como fazer. Não tem gritos, não tem canções específicas, não tem tambor...

A separação é agravada pelo fato dos jogadores, quase todos, trabalharem na Europa. Todos sabem que a paixão futebolística está nos clubes, e se estende para os atletas do clube. Se tivessem jogadores do Flamengo, Corinthians, Grêmio, Cruzeiro e outros, a torcida para o Brasil seria maior. (Só para deixar claro, não estou pedindo Hernane na seleção!)

Tudo isso somada a bagunça que a gestora da seleção, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), causa no campeonato brasileiro e nos clubes.

Quem foi ao estádio
Se a Copa do Mundo acontece no quintal de casa, por que não ir ao jogo? Todo mundo quer participar da maior festa do futebol, e tem todo direito disso. Mas os ingressos muitas vezes vão para as mãos de quem não está acostumado a ir para o estádio, e estão lá para gritar quando o Brasil joga bem, e não quando precisa melhorar na partida.

Do outro lado, estão os sul-americanos, mexicanos e ingleses (para citar as melhores torcidas que eu vi até agora) que viajam de seus países só para acompanhar a seleção nacional. Guardar dinheiro por um tempo, viajar, muitas vezes como mochileiro, e acompanhar o time é coisa de apaixonado por futebol, aquele que vai para fazer a festa dentro do estádio.

No jogo de ontem, em um momento que Daniel Alves carregava a bola pela lateral, a câmera mostrou a torcida mais perto do gramado. No início, brasileiros sentados, parados, olhando o jogo, como se estivessem assistindo tênis, onde qualquer barulho pode atrapalhar os atletas. A câmera continua e mostra mexicanos pulando e gritando. A imagem continua e mostra mais brasileiros assistindo tênis.

Não estou dizendo que estes torcedores não merecem o ingresso, pois entraram na fila virtual (eu acho) como todos os outros e pagaram o ingresso. Espere desses torcedores gritos em gols e se o Brasil vencer o jogo, mas não espere apoio em momentos difíceis.  


Para voltar a jogar em casa, os torcedores precisam entender que fazem a diferença se cantarem em conjunto, se mostrarem apoio do começo ao fim e se gritarem pelo Brasil a pleno pulmões. Ou torcer para enfrentarmos uma seleção com menos torcedores no Brasil.

12 de jun. de 2014

O chato que critica mesmo com a vitória

Enquanto o torcedor comemora a estreia com vitória, como deve fazer, eu quero apontar os erros. Daniel Alves, Júlio César, Hulk, Paulinho, a Croácia comandando o meio campo em parte do jogo e as substituições estranhas de Felipão foram os principais problemas, os que merecem ser destacados.

Poderia classificar a atuação sofrível de Daniel Alves como “pressão da estreia”, mas por dois motivos prefiro pedir para que vá para o banco. O primeiro é eu já peço isso nos últimos quatro jogos da seleção, então não é só pela atuação de hoje. Minha percepção aumentou quando Maicon jogou bem os dois últimos amistosos de preparação.

O segundo motivo é o fato de que o gol foi 90% culpa dele. Eu vi o gol da Croácia acontecendo um minuto antes dele se realizar! Daniel Alves sai correndo para cima do goleiro, e meu pensamento na hora foi: “vai deixar um espaço”. E foi justamente por nesse espaço que o jogador croata (algum que termina com ‘C’) carregou a bola livremente, tirou o Thiago Silva da área e deixou o Marcelo marcando um dos atacantes.

E não é a primeira vez. Me lembro de um amistoso (só não lembro contra quem) em que constantemente Daniel Alves carregava a bola como se fosse um volante. Fica na sua, Daniel! Por algum motivo, ele acha que precisa ser o armador, ou um atacante. Ele é bom, pena que ele sabe disso, e por isso acha que pode resolver o jogo.

Outros jogaram melhor que Daniel Alves, mas também não fizeram uma boa partida. Júlio César (o Brasil pode ser campeão, mas todo jogo eu vou criticá-lo) rebateu bolas e chegou atrasado em outras (será que foi falta nele?), Hulk não deu um chute ao gol, um lançamento, um passe difícil, não roubou uma bola... e Paulinho pode fazer mais.

Concorda?

Agora, os problemas como equipe! Por uma parte do jogo, e quando estava 1x1, a Croácia trocava passes, enquanto o Brasil tentava a ligação direta. A Croácia criava as jogadas com calma, e o Brasil torcia para ganhar as bolas lançadas no alto. E isso porque estamos falando da Croácia. De repente, o time que passou na repescagem europeia e que empatou com a Islândia fora de casa, se tornou uma Espanha.

Meu Deus, a Espanha! Existe chance do Brasil enfrentar a La Roja nas oitavas-de-final! Se os espanhóis impuseram o jogo dele, vão repetir o que a Croácia fez hoje. Mas, com uma pequena grande diferença: está repleta de craques. Então, acorda Brasil.

O que me faz abordar o último problema do Brasil no jogo de hoje. O problema é o meio-de-campo, então por que colocar trocar seis por meia dúzia em Paulinho por Hernanes? Por que Ramires? Por que o Hulk demorou tanto para sair? Como é possível o Daniel Alves terminar o jogo? De que modo explicar o Willian não ter entrado?

O pior em campo foi o Felipão. Reclamou o jogo inteiro, entrou com Oscar deslocado, fez todas as substituições equivocadas, e ainda demorou para fazê-las. O único acerto do treinador do Brasil foi ter apostado no Oscar. Ouviu do mundo que o Willian era titular, mas apostou nas suas convicções.

Vai ter Copa
De bom, Neymar e Oscar comandando um jogo e calando aqueles que dizem que experiência e idade ganham jogos de Copa do Mundo. Com 22 e 21 anos, respectivamente, não só jogaram bem por serem habilidosos. Fizeram uma excelente partida, pois chamaram o jogo para si. Neymar voltou para buscar a bola no primeiro tempo, e Oscar segurou e criou jogadas no segundo.

Luiz Gustavo calou a minha boca e jogou muito, David Luiz sempre muito guerreiro e um jogo de Thiago Silva sem falhas são outros destaques positivos. Mas nada supera o apoio da torcida, e o hino cantado (e gritado!) pelo público. Se você não se arrepiou, arrume suas malas e procure um novo país para viver, pois provavelmente você não gosta desse (ou você odeia futebol e considera motivo de alienação. Se você acha isso, também vá embora, ninguém te quer aqui).

Pela frente México e Camarões. Nada de mais. Tem tempo para concertar as falhas, e chegar preparado para os verdadeiros desafios, que devem ser a temida Espanha, a carrasca Holanda ou o freguês Chile. Acho que está claro quem é o melhor adversário para o Brasil na próxima fase: isso mesmo, a Austrália.


Com essa, me despeço.