“O Brasil
não tem os melhores jogadores, mas joga em casa”, alertam os torcedores para
explicar o favoritismo da seleção na Copa do Mundo 2014. Mas o jogo de ontem
mostrou uma realidade difícil de engolir. Existem times que podem mudar a
lógica do jogo em casa.
Primeiro
porque um dos aspectos de jogar em casa é estar no seu próprio campo, que você
conhece. Pode parecer estranho e simples dizer: “todos os campos de futebol são
iguais”, mas existe sim o conhecimento do gramado dos que estão acostumados a
jogar nele.
Acontece que
em Copa do Mundo o campo é o mesmo para todos. Os jogadores brasileiros não têm
experiência nesses campos pois jogam na Europa, e porque alguns deles são novos.
O fator
campo morre, mas sobra a torcida, mais importante que o conhecimento do
gramado. Entretanto, ontem tivemos um pouco do que pode acontecer nessa Copa do
Mundo. Os mexicanos estavam em menor número, mas souberam torcer mais. Gritavam
mais alto, tinham cânticos ensaiados e faziam uma festa maior, enquanto
brasileiros ficavam no “eu sou brasileiro, com muito orgulho...”
Nas estreias
de Chile e Argentina, minha sensação foi: “a Copa do Mundo está em festa não
porque é no Brasil, mas porque é na América do Sul”. Os sul-americanos são
apaixonados por futebol, e tem os jogos do mundial do lado de casa. Dá para ir
de ônibus! E provavelmente vai demorar para Copa voltar ao continente. Foram
necessários 36 anos de distância para o torneio voltar ao continente, entre a
Copa da Argentina, em 1978, e a de 2014.
Se a final tão
esperada aconteça em 2014, Brasil x Argentina, é possível que nossos hermanos tenham
mais torcedores no Maracanã.
E se o
Brasil chegar até lá! Pois a torcida precisa ajudar, e não conseguiu apoiar
durante os momentos ruins nos dois primeiros jogos. E o grito dos torcedores
podem mudar os jogos. Para lembrar duas conquistas brasileiras recentes,
Corinthians e Atlético MG utilizaram a força das suas torcidas para vencer a
Libertadores. Os jogos em casa eram uma festa, e não tenha dúvida que
influenciou o resultado em campo.
O Brasil
precisa disso, e até agora não teve. Por quê? Tenho duas hipóteses. Os
torcedores presentes no estádio e a separação entre torcida e seleção
brasileira.
A separação
Seja lá qual
for o motivo (existem várias explicações para isso), o Brasil joga a maioria
dos amistosos em terras estrangeiras. Londres e Estados Unidos, por exemplo, e países
mais pobres, como questão de causa social.
Os jogos do
Brasil no Brasil apenas em Eliminatórias, que esse teve esse ano. Isso causa
uma separação entre torcedores e seleção. Fora que os jogos acontecem em pleno
dia de trabalho, pela tarde. Não foram poucas as vezes que só descobri o
resultado da partida ao chegar em casa.
Os
torcedores não estão acostumados a torcer pelo Brasil e, por isso, em jogos
aqui, não sabem muito bem como fazer. Não tem gritos, não tem canções
específicas, não tem tambor...
A separação
é agravada pelo fato dos jogadores, quase todos, trabalharem na Europa. Todos
sabem que a paixão futebolística está nos clubes, e se estende para os atletas
do clube. Se tivessem jogadores do Flamengo, Corinthians, Grêmio, Cruzeiro e
outros, a torcida para o Brasil seria maior. (Só para deixar claro, não estou
pedindo Hernane na seleção!)
Tudo isso
somada a bagunça que a gestora da seleção, a Confederação Brasileira de Futebol
(CBF), causa no campeonato brasileiro e nos clubes.
Quem foi ao estádio
Se a Copa do
Mundo acontece no quintal de casa, por que não ir ao jogo? Todo mundo quer
participar da maior festa do futebol, e tem todo direito disso. Mas os ingressos
muitas vezes vão para as mãos de quem não está acostumado a ir para o estádio,
e estão lá para gritar quando o Brasil joga bem, e não quando precisa melhorar na
partida.
Do outro
lado, estão os sul-americanos, mexicanos e ingleses (para citar as melhores
torcidas que eu vi até agora) que viajam de seus países só para acompanhar a
seleção nacional. Guardar dinheiro por um tempo, viajar, muitas vezes como
mochileiro, e acompanhar o time é coisa de apaixonado por futebol, aquele que
vai para fazer a festa dentro do estádio.
No jogo de
ontem, em um momento que Daniel Alves carregava a bola pela lateral, a câmera
mostrou a torcida mais perto do gramado. No início, brasileiros sentados,
parados, olhando o jogo, como se estivessem assistindo tênis, onde qualquer
barulho pode atrapalhar os atletas. A câmera continua e mostra mexicanos
pulando e gritando. A imagem continua e mostra mais brasileiros assistindo
tênis.
Não estou
dizendo que estes torcedores não merecem o ingresso, pois entraram na fila virtual
(eu acho) como todos os outros e pagaram o ingresso. Espere desses torcedores
gritos em gols e se o Brasil vencer o jogo, mas não espere apoio em momentos difíceis.
Para voltar
a jogar em casa, os torcedores precisam entender que fazem a diferença se
cantarem em conjunto, se mostrarem apoio do começo ao fim e se gritarem pelo
Brasil a pleno pulmões. Ou torcer para enfrentarmos uma seleção com menos torcedores
no Brasil.
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