Em junho de
2013, Miami Heat e San Antonio Spurs fizeram a final da NBA. Sete disputados
jogos que consagraram a equipe de LeBron James. Um dos melhores treinadores da
história do basquete americano e comandante do Spurs, Gregg Popovich, não se
perdoou por aquela derrota.
Na temporada
seguinte, Popovich resolveu mudar a preparação para os playoffs. Utilizando a
temporada regular, que tem 82 jogos, testou todos os esquemas táticos possíveis.
O motivo? Na
final de 2013, ele se viu em desvantagem quando o Heat começou a jogar “small
ball”, ou seja, jogadores menores que arremessam de longe, ao invés de
invadirem o garrafão. Por isso, era melhor estar preparado para qualquer
adversidade que o oponente pudesse apresentar.
Não foi sem
sofrimento. Nas primeiras partidas da última da temporada 13/14, os Spurs não
ganhavam dos grandes, possíveis concorrentes na fase final. A imprensa
americana colocava em xeque o time que estava na final na temporada anterior. Gregg
Popovich seguiu com suas convicções e chegou a final novamente. Enfrentou o
mesmo Heat e venceu a série por 4x1 sem muitas dificuldades.
O San
Antonio Spurs tinha opções para os jogos. A seleção brasileira na Copa não tem.
Ao contrário
de Popovich, Felipão seguiu com as convicções dele durante todo a preparação
para Copa do Mundo. “É obrigatório ter um centroavante!” é o principal.
Por esse
pensamento Scolari levou o Jô, podendo levar o Lucas do PSG, por exemplo. Ele
tinha medo do Fred se machucar, e por isso ter de usar outro centroavante. É
por isso também que o nome de Allan Kardec surgiu com força em convocações
durante a preparação.
Felipão
insiste em ter um homem dentro da área para fazer pivô. E a preparação toda foi
para isso. E agora que nem Fred, nem Jô estão bem tecnicamente? Não há opções,
e nem tempo para criar alternativas. Qualquer alteração na estrutura do time
que ele fizer para o próximo jogo, e der certo, será sorte. Se dará pela
química dos jogadores.
Claro, a
quantidade de jogos no basquete é bem maior que no futebol, e maior ainda quando
se trata de seleções. Todos os treinadores ficam entre a cruz e a espada, com a
dúvida: escalo o mesmo time para ganhar ritmo ou testo times diferentes para
ter opções?
É uma dúvida
cruel, mas que Felipão parece não ter tido. Tenho a impressão que em nenhum
momento o treinador achou que fosse preciso mudar o seu estilo, e por isso, mesmo
em treinamentos para amistosos não fez testes. Poderia também testar em jogos
da Copa das Confederações, mas parecia que ganhar essa competição era mais
importante que se preparar para Copa do Mundo...
Hoje, o Brasil
é um time sem tática. Ou um time com uma tática só, que Felipão achava que
controlaria por seu discurso motivacional ou por agregar os jogadores “em uma
família”. Agora se vê sem meio campo e com um centroavante apagado (seja Jô ou
Fred). O útil ao agradável seria trocar o 9 por mais um meio-campo, mas não
preparou o time para isso.
E esse é o
principal problema do Brasil! Embora muitos foquem no emocional. Para mim, os
dois defeitos brasileiros estão conectados.
Se um médico
se assusta na primeira cirurgia da carreira, e treme com medo de errar, como
ele passa por cima disso? Relembra passo a passo o que foi aprendido e praticado
antes daquele momento. Cortar aqui, ali, usar isso, aquilo e aos poucos o
nervosismo vai desaparecendo.
É disso que
a seleção precisa! Se os nervos estão a flor da pele, basta usar a tática e
técnica aprendida nos treinos. “Calma, deixa eu lembrar. Marco na esquerda. Se
a gente recuperar a bola, vou para o meio. Se o lateral estiver com a bola, eu
me aproximo dele para receber”. E assim por diante.
Provavelmente,
Felipão, ao invés de dizer: “corre para o meio-campo”, diz: “joguem pelos
brasileiros”. Um time sem tática que apela para o emocional.

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