8 de jul. de 2014

A história que levou ao 7x1

Tudo começa com a saída de Ricardo Teixeira do comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Um dos maiores corruptos do esporte deixa o comando do futebol brasileiro. Hora de renovação? Nada! O vice mais velho, José Maria Marin, assume a CBF.

Ao invés de avançarmos, regredimos. No primeiro sinal de fraqueza de Mano Menezes, com Marin à frente, o atual treinador do Corinthians foi demitido do comando do Brasil. Logo quando todos concordávamos que “o Mano estava começando a montar um time...” Nada demais, quem sabe entrava alguém melhor.

Mas Marin tem cabeça fechada, e pensa, digo, não pensa. Sonhando com o Luis Felipe Scolari dos anos 2000, campeão da Libertadores e da Copa do Mundo, trouxe o Felipão dos fracassos no Chelsea, temporada no Uzbequistão e rebaixamento no Palmeiras.

Tudo bem, até engolimos o nome quando os resultados começaram a aparecer. Resultados que foram cortina de fumaça, mais uma vez. Como foi com Parreira na Copa América e Confederações, como foi com Dunga com os mesmos torneios e novamente com Felipão no torneio teste em 2013, quando a vitória contra Espanha transformou a seleção brasileira em favorita para Copa do Mundo.

José Maria Marin é o grande culpado, um pouco a frente do treinador da seleção. Felipão fez o que ele sabe, ou seja, nada de tática, e muito de coração. Todo mundo (que entende um pouco de futebol) sabe disso. Isso deixa claro que Marin não sabe nada de futebol.  

O grande carrasco do Brasil hoje dá exemplo. Você acha que a Alemanha surgiu do nada? Você acha que o massacre dos 7x1 foi sem querer? Sorte? Nada disso.

A Copa de 2006 foi na Alemanha, ainda assim eles apostaram em jovens jogadores. Alguns que estavam em campo no massacre alemão contra o Brasil. Desde 2006! O trabalho de Joachim Löw começou em 2004, com assistente. E titular no cargo de treinador desde 2006, após o fim da Copa. Em 2010, o trabalho continuou e novos jogadores, como Muller, foram apresentados.

A Alemanha pode ser considerada um time montado desde o fracasso de 2002. Que, óbvio, mesmo com tantos elogios, não pode ser considerada vitoriosa, mesmo que vença a Copa. Essa geração reúne derrotas nas Copas de 2006 e 2010, e Eurocopas entre esses mundiais. Mas sempre caindo na semifinal, e sempre caindo de pé, e sempre mantendo o trabalho.

O trabalho da Alemanha foi além da seleção. O campeonato nacional tem o maior público do mundo. Os times se fortaleceram. Transformaram o Bayern de Munique em um dos maiores clubes da Europa. A Liga dos Campeões teve final alemã há dois anos. O campeonato, e os clubes, estão tão fortes que ‘roubaram’ uma vaga da Itália na Champions League. Alemanha é o país do futebol?

Nunca é bom perder. Pior ainda ser humilhado em casa. Mas que os 7x1 ecoem como um lembrete que o futebol brasileiro está em estado terminal. Que parem de citar os cinco títulos, como prova de que está tudo bem. Que saibam que a Era Pelé, Era Zico, Era dos Rs (Ronaldos e Rivaldo) passou.


E principalmente, que com trabalho e gestão do futebol, é possível criar a Era Neymar. Que o futebol brasileiro está em estado terminal, não morto. Que nós moramos em um país de 200 milhões de habitantes, no qual quase todos gostam de futebol e todos querem virar jogador. Que nós moramos em uma nação que pode voltar a ser o país do futebol. 

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