O Bom Senso
Futebol Clube tem tudo para fazer história no esporte mais popular do Brasil,
mas ainda precisa mostrar força. Como? Greve neles! Até agora, os dirigentes
têm tratado o movimento como jogadores mimados, que ganham muito e querem
trabalhar pouco.
Quando a
proposta do BSFC por um calendário maior foi apresentado, a resposta veio quase
instantânea: não dá. Como assim?! O grupo de jogadores passa um tempo pensando
uma proposta e em menos de um dia vocês já sabem que não é viável?! E como é
feito hoje, é viável?! É esse tipo de atitude que deixa claro que enquanto o
Bom Senso ficar publicando notas e realizar seminários, nada vai acontecer.
Quer saber
como fazer? Vamos lá. Em 1964, os jogadores da NBA tinham um sindicato, que não
era reconhecido pelos empresários donos das franquias. No All Star Game (aquele
evento que reúne as maiores estrelas do basquete americano) daquele ano, os
atletas fecharam as portas do vestiário e falaram que só sairiam para jogar se
os dirigentes reconhecessem o sindicato dos jogadores e aceitassem negociações
com o grupo.
Contextualizando.
No ano de 1964, a NBA lutava pelo reconhecimento dos americanos como esporte de
massa, e precisava das estrelas. Além disso, aquele jogo das estrelas era o
primeiro a passar na televisão.
E aquela
situação não foi fácil para os jogadores da NBA. Os donos de algumas franquias ameaçavam
os atletas, e os obrigavam a entrar em quadra. O chefe da NBA, Walter Kennedy,
tentava reverter a situação, mas não conseguia. E mesmo dentro do vestiário, a
ideia de não entrar em quadra não era consenso. Segundo um dos presentes no
local, Bob Pettit, os jogadores estavam divididos.
Depois de um
tempo, os jogadores saíram de lá com a garantia de que haveria negociações com
os dirigentes da NBA e das franquias. Enfim, um dos maiores jogadores da época,
Wilt Chamberlein, convenceu os atletas a entrarem em quadra. Depois disso, e
até hoje, os jogadores conseguem negociar com os empresários.
Cultura
diferente, época diferente. Mesmo assim, é um exemplo de medida drástica que
apresentou resultados. E tem que fazer. Não adianta ficar ameaçando greve, como
o Bom Senso já fez umas dez vezes. Aliás, é um jeito de mostrar que quem
realmente faz o futebol são os atletas. Os torcedores vão aos estádios ou
assistem os jogos pela TV por causa dos jogadores. As camisas são vendidas por
causa dos jogadores. Tudo gira em torno dos jogadores.
Agora imagina
a final da Copa do Brasil. Vamos dizer que Corinthians e Flamengo cheguem lá.
Os olhos do país virados para o jogo, e perto de começar, os jogadores decidem
não entrar em campo a não ser que o calendário mude e que a Confederação
Brasileira de Futebol aplique o fair play financeiro. E aí?

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