23 de jul. de 2014

Perdi o otimismo

O Brasil perdeu Neymar nas quartas-de-final da Copa do Mundo? Ainda dá para ganhar da Alemanha, porque a Argélia e Gana deram trabalho para os germânicos. Não deu.

Perdeu de 7x1 e ainda tem um jogo contra a Holanda para fazer? Os laranjas vão vir desanimados, pois queriam a final. Jogando em casa, pelo menos o terceiro lugar nós podemos pegar. Não deu.

O futebol brasileiro foi humilhado em casa em dois jogos lamentáveis? Depois disso, vai sair Felipão, Parreira, Marin, Del Nero e teremos uma renovação na gestão do futebol. Não deu.

O Marin ficou no poder e não mostra sinais de revolucionar o futebol brasileiro? Tudo bem, ainda dá para gerir a seleção com algum nome competente, como o Leonardo. Não deu.

Gilmar Rinaldi vai comandar as seleções e gerir o futebol da CBF? Pelo menos podemos ter um treinador com conhecimento e inteligência, como o Tite ou Marcelo Oliveira. Não deu.


Dunga é o novo treinador do Brasil? Agora não dá, perdi o otimismo. 

9 de jul. de 2014

Paciência com o novo treinador

Tite é o nome mais cotado para assumir a seleção brasileira, depois do fracasso que foi Felipão. 

Assim como Mano em 2011 e Dunga em 2007, o treinador pega uma batata quente após uma derrota na Copa, e ainda mais do jeito que foi.

E assim como foi falado quando Mano e Dunga assumiram, será preciso paciência. 

Tite deve assumir pelo bom trabalho que fez no Corinthians, principalmente com os títulos da Libertadores, Mundial e Brasileirão. Mas o começo do trabalho não foi um mar de rosas.

O treinador assumiu o alvinegro brigando pelo título e terminou na terceira posição após 4 empates. Não foi o pior dos mundos para o time.

Mas eis que dois meses depois, o Corinthians é eliminado pelo Tolima na pré-Libertadores em um dos maiores vexames do clube. Ronaldo se aposenta, e o Tite continua no comando do time. 

Após apostar na comissão técnica e nos jogadores, o trabalho segue e o treinador vence quase tudo, só não a Copa do Brasil. 

8 de jul. de 2014

A história que levou ao 7x1

Tudo começa com a saída de Ricardo Teixeira do comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Um dos maiores corruptos do esporte deixa o comando do futebol brasileiro. Hora de renovação? Nada! O vice mais velho, José Maria Marin, assume a CBF.

Ao invés de avançarmos, regredimos. No primeiro sinal de fraqueza de Mano Menezes, com Marin à frente, o atual treinador do Corinthians foi demitido do comando do Brasil. Logo quando todos concordávamos que “o Mano estava começando a montar um time...” Nada demais, quem sabe entrava alguém melhor.

Mas Marin tem cabeça fechada, e pensa, digo, não pensa. Sonhando com o Luis Felipe Scolari dos anos 2000, campeão da Libertadores e da Copa do Mundo, trouxe o Felipão dos fracassos no Chelsea, temporada no Uzbequistão e rebaixamento no Palmeiras.

Tudo bem, até engolimos o nome quando os resultados começaram a aparecer. Resultados que foram cortina de fumaça, mais uma vez. Como foi com Parreira na Copa América e Confederações, como foi com Dunga com os mesmos torneios e novamente com Felipão no torneio teste em 2013, quando a vitória contra Espanha transformou a seleção brasileira em favorita para Copa do Mundo.

José Maria Marin é o grande culpado, um pouco a frente do treinador da seleção. Felipão fez o que ele sabe, ou seja, nada de tática, e muito de coração. Todo mundo (que entende um pouco de futebol) sabe disso. Isso deixa claro que Marin não sabe nada de futebol.  

O grande carrasco do Brasil hoje dá exemplo. Você acha que a Alemanha surgiu do nada? Você acha que o massacre dos 7x1 foi sem querer? Sorte? Nada disso.

A Copa de 2006 foi na Alemanha, ainda assim eles apostaram em jovens jogadores. Alguns que estavam em campo no massacre alemão contra o Brasil. Desde 2006! O trabalho de Joachim Löw começou em 2004, com assistente. E titular no cargo de treinador desde 2006, após o fim da Copa. Em 2010, o trabalho continuou e novos jogadores, como Muller, foram apresentados.

A Alemanha pode ser considerada um time montado desde o fracasso de 2002. Que, óbvio, mesmo com tantos elogios, não pode ser considerada vitoriosa, mesmo que vença a Copa. Essa geração reúne derrotas nas Copas de 2006 e 2010, e Eurocopas entre esses mundiais. Mas sempre caindo na semifinal, e sempre caindo de pé, e sempre mantendo o trabalho.

O trabalho da Alemanha foi além da seleção. O campeonato nacional tem o maior público do mundo. Os times se fortaleceram. Transformaram o Bayern de Munique em um dos maiores clubes da Europa. A Liga dos Campeões teve final alemã há dois anos. O campeonato, e os clubes, estão tão fortes que ‘roubaram’ uma vaga da Itália na Champions League. Alemanha é o país do futebol?

Nunca é bom perder. Pior ainda ser humilhado em casa. Mas que os 7x1 ecoem como um lembrete que o futebol brasileiro está em estado terminal. Que parem de citar os cinco títulos, como prova de que está tudo bem. Que saibam que a Era Pelé, Era Zico, Era dos Rs (Ronaldos e Rivaldo) passou.


E principalmente, que com trabalho e gestão do futebol, é possível criar a Era Neymar. Que o futebol brasileiro está em estado terminal, não morto. Que nós moramos em um país de 200 milhões de habitantes, no qual quase todos gostam de futebol e todos querem virar jogador. Que nós moramos em uma nação que pode voltar a ser o país do futebol. 

5 de jul. de 2014

A pressão está do outro lado

Antes das quartas-de-final, o Brasil estava com os nervos à flor da pele pois não ganhar em casa, ou pior cair antes de estar entre os quatro melhores, é um vexame. 

Passou.

O time está entre os quatro melhores da Copa do Mundo, e agora está sem sua principal estrela. Tem "desculpa" para derrota, e enfrenta o time mais forte, que entrou como favorito antes da competição começar.

A pressão é deles.

A Alemanha está na semifinal mais uma vez desde 2002, quando perdeu a final. Em 2006, em casa, uma nova geração foi lançada para ganhar a Copa, mas terminou em terceiro. Em 2010, o grupo foi melhorado, e ainda assim perdeu.

Mais uma vez essa geração chega a uma semifinal com o dever de não se tornar um grupo excelente, mas não ganhou a Copa. Essa pode ser a última chance de muitos. 

2 de jul. de 2014

Um time sem tática


Em junho de 2013, Miami Heat e San Antonio Spurs fizeram a final da NBA. Sete disputados jogos que consagraram a equipe de LeBron James. Um dos melhores treinadores da história do basquete americano e comandante do Spurs, Gregg Popovich, não se perdoou por aquela derrota.

Na temporada seguinte, Popovich resolveu mudar a preparação para os playoffs. Utilizando a temporada regular, que tem 82 jogos, testou todos os esquemas táticos possíveis.

O motivo? Na final de 2013, ele se viu em desvantagem quando o Heat começou a jogar “small ball”, ou seja, jogadores menores que arremessam de longe, ao invés de invadirem o garrafão. Por isso, era melhor estar preparado para qualquer adversidade que o oponente pudesse apresentar.

Não foi sem sofrimento. Nas primeiras partidas da última da temporada 13/14, os Spurs não ganhavam dos grandes, possíveis concorrentes na fase final. A imprensa americana colocava em xeque o time que estava na final na temporada anterior. Gregg Popovich seguiu com suas convicções e chegou a final novamente. Enfrentou o mesmo Heat e venceu a série por 4x1 sem muitas dificuldades.

O San Antonio Spurs tinha opções para os jogos. A seleção brasileira na Copa não tem.

Ao contrário de Popovich, Felipão seguiu com as convicções dele durante todo a preparação para Copa do Mundo. “É obrigatório ter um centroavante!” é o principal.

Por esse pensamento Scolari levou o Jô, podendo levar o Lucas do PSG, por exemplo. Ele tinha medo do Fred se machucar, e por isso ter de usar outro centroavante. É por isso também que o nome de Allan Kardec surgiu com força em convocações durante a preparação.

Felipão insiste em ter um homem dentro da área para fazer pivô. E a preparação toda foi para isso. E agora que nem Fred, nem Jô estão bem tecnicamente? Não há opções, e nem tempo para criar alternativas. Qualquer alteração na estrutura do time que ele fizer para o próximo jogo, e der certo, será sorte. Se dará pela química dos jogadores.

Claro, a quantidade de jogos no basquete é bem maior que no futebol, e maior ainda quando se trata de seleções. Todos os treinadores ficam entre a cruz e a espada, com a dúvida: escalo o mesmo time para ganhar ritmo ou testo times diferentes para ter opções?

É uma dúvida cruel, mas que Felipão parece não ter tido. Tenho a impressão que em nenhum momento o treinador achou que fosse preciso mudar o seu estilo, e por isso, mesmo em treinamentos para amistosos não fez testes. Poderia também testar em jogos da Copa das Confederações, mas parecia que ganhar essa competição era mais importante que se preparar para Copa do Mundo...

Hoje, o Brasil é um time sem tática. Ou um time com uma tática só, que Felipão achava que controlaria por seu discurso motivacional ou por agregar os jogadores “em uma família”. Agora se vê sem meio campo e com um centroavante apagado (seja Jô ou Fred). O útil ao agradável seria trocar o 9 por mais um meio-campo, mas não preparou o time para isso.

E esse é o principal problema do Brasil! Embora muitos foquem no emocional. Para mim, os dois defeitos brasileiros estão conectados.

Se um médico se assusta na primeira cirurgia da carreira, e treme com medo de errar, como ele passa por cima disso? Relembra passo a passo o que foi aprendido e praticado antes daquele momento. Cortar aqui, ali, usar isso, aquilo e aos poucos o nervosismo vai desaparecendo.

É disso que a seleção precisa! Se os nervos estão a flor da pele, basta usar a tática e técnica aprendida nos treinos. “Calma, deixa eu lembrar. Marco na esquerda. Se a gente recuperar a bola, vou para o meio. Se o lateral estiver com a bola, eu me aproximo dele para receber”. E assim por diante.


Provavelmente, Felipão, ao invés de dizer: “corre para o meio-campo”, diz: “joguem pelos brasileiros”. Um time sem tática que apela para o emocional.