25 de mar. de 2014

Ou faz greve, ou nada acontece


O Bom Senso Futebol Clube tem tudo para fazer história no esporte mais popular do Brasil, mas ainda precisa mostrar força. Como? Greve neles! Até agora, os dirigentes têm tratado o movimento como jogadores mimados, que ganham muito e querem trabalhar pouco.

Quando a proposta do BSFC por um calendário maior foi apresentado, a resposta veio quase instantânea: não dá. Como assim?! O grupo de jogadores passa um tempo pensando uma proposta e em menos de um dia vocês já sabem que não é viável?! E como é feito hoje, é viável?! É esse tipo de atitude que deixa claro que enquanto o Bom Senso ficar publicando notas e realizar seminários, nada vai acontecer.

Quer saber como fazer? Vamos lá. Em 1964, os jogadores da NBA tinham um sindicato, que não era reconhecido pelos empresários donos das franquias. No All Star Game (aquele evento que reúne as maiores estrelas do basquete americano) daquele ano, os atletas fecharam as portas do vestiário e falaram que só sairiam para jogar se os dirigentes reconhecessem o sindicato dos jogadores e aceitassem negociações com o grupo.

Contextualizando. No ano de 1964, a NBA lutava pelo reconhecimento dos americanos como esporte de massa, e precisava das estrelas. Além disso, aquele jogo das estrelas era o primeiro a passar na televisão.

E aquela situação não foi fácil para os jogadores da NBA. Os donos de algumas franquias ameaçavam os atletas, e os obrigavam a entrar em quadra. O chefe da NBA, Walter Kennedy, tentava reverter a situação, mas não conseguia. E mesmo dentro do vestiário, a ideia de não entrar em quadra não era consenso. Segundo um dos presentes no local, Bob Pettit, os jogadores estavam divididos.

Depois de um tempo, os jogadores saíram de lá com a garantia de que haveria negociações com os dirigentes da NBA e das franquias. Enfim, um dos maiores jogadores da época, Wilt Chamberlein, convenceu os atletas a entrarem em quadra. Depois disso, e até hoje, os jogadores conseguem negociar com os empresários.

Cultura diferente, época diferente. Mesmo assim, é um exemplo de medida drástica que apresentou resultados. E tem que fazer. Não adianta ficar ameaçando greve, como o Bom Senso já fez umas dez vezes. Aliás, é um jeito de mostrar que quem realmente faz o futebol são os atletas. Os torcedores vão aos estádios ou assistem os jogos pela TV por causa dos jogadores. As camisas são vendidas por causa dos jogadores. Tudo gira em torno dos jogadores.

Agora imagina a final da Copa do Brasil. Vamos dizer que Corinthians e Flamengo cheguem lá. Os olhos do país virados para o jogo, e perto de começar, os jogadores decidem não entrar em campo a não ser que o calendário mude e que a Confederação Brasileira de Futebol aplique o fair play financeiro. E aí?