14 de jan. de 2014

3 PONTOS | Quem está vencendo o Mercado de Transferências 2014

Não faz nem um mês que o Campeonato Brasileiro acabou. Faz menos de 30 dias que a última rodada foi disputada nas salas do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e daqui a pouco já começa a nova temporada.

Nesse meio tempo, quase nada aconteceu. O mercado foi frio. Ninguém fez uma grande contratação (no máximo, Leandro Damião). Eu nem li/ouvi a palavra ‘repatriado’ esse ano! Não veio nenhum ex-craque, hoje jogador comum da Europa e querendo um salário de estrela (estou falando de você, Robinho) para o Brasil.

Bom Senso F.C.? Responsabilidade fiscal? Dirigentes sentindo os supersalários de atletas/treinadores? Medo de assumir riscos? Aprendizado com exemplos ruins? Não sei, mas está fraco.

Ainda assim, dá para escolher vencedores nesse Mercado de Transferência 2014 - A Edição de Gelo.

1) Internacional – ‘ufa! Foi por pouco, mas conseguimos.’ Eu imagino que essa foi a sensação na sala da diretoria do Internacional após a venda concretizada de Leandro Damião. Por pouco, o time do Rio Grande do Sul não teve que sofrer com arrependimento que acontece todo ano, e já aconteceu com todos os times. Aquele jovem se destaca, vai para seleção, recebe uma proposta, mas o time recusa, pois vê um projeto para o jovem. Aconteceu com o Damião.



E logo depois vem a queda de produção, e as propostas vão sumindo ou diminuindo valor. Também aconteceu com o Damião. E o time fica com a sensação de que perdeu a chance de faturar muito com o jogador. Aconteceu com o Internacional, quase. Mas eis que aparece a obscura Doyen Sports, faz parceria com o Santos e leva oatacante por R$ 41 milhões. Um milagre de natal! 

Calma, não balance a cabeça negativamente para mim ainda. Eu sei que o Leandro Damião não desaprendeu a jogar futebol. Mas no Internacional era difícil se recuperar. Para jogadores assim, uma mudanças de ares é o ideal. Lembre-se, o Éverton Ribeiro já foi dispensado do Corinthians. Para o Internacional, a preocupação de ganhar na Mega-sena com o jogador já não existe mais. A preocupação é do Santos agora.

2) Cruzeiro – o mais difícil para o time campeão do ano anterior é manter o elenco. O Fluminense ganha 2012 e cai esse ano (no campo, pelo menos) após perder Welligton Nem para o time brasileiro Shakhtar Donetsk, Thiago Neves para o mundo árabe, Deco para idade e Fred para o Departamento Médico F.C.. O mesmo para o Corinthians que perdeu metade do time, Paulinho, para o Tottenham. E perdeu outros também para a fisiologia do corpo humano, como Danilo, Emerson e Douglas.



Manter o time campeão é o ideal. Eu ficava surpreso com aqueles times que ganham o Campeonato Brasileiro, e decidem que precisam de mais de cinco titulares, como acontecia nos anos 90. “Time que está ganhando, não se mexe, [se melhora pontualmente]”, não é isso produção? E o Cruzeiro tem uma máquina em mãos, e não perdeu ninguém tãããão importante (ainda). Quem sai: Victorino, Diego Renan, Leandro Guerreiro e Bruno Lamas (quem?).

Quem entra: Marcelo Moreno (ruim), Vilson (médio), Rodrigo Souza (aposta), Samudio (bom) e Marlone (muito bom). Tirando Marcelo Moreno, todos podem ser bons reservas (Marlone pode ser titular). Aliás, o Marcelo Moreno só está no Cruzeiro, porque lá fez sua segunda melhor temporada:

Vitória | 36J 24G
Cruzeiro | 33J 21G
Shaktar | 46J 11G
Werder Bremem | 13J 3G
Wigan | 12J 0G
Grêmio | 57J 23G
Flamengo | 21J 5G

São contratações pontuais e boas. Acho que mais duas apostas podem fazer o Cruzeiro vir mais forte que o ano passado, quando foi uma surpresa. Hoje, todo mundo quer vencer o(s) time(s) de Belo Horizonte.  Então é preciso estar mais preparado e fazer o mais importante: NÃO. PERDER. JOGADORES. IMPORTANTES.

3) O futuro do futebol brasileiro – eu não quero estourar o champanhe ainda é comemorar o que pode ser o embrião de uma responsabilidade fiscal dos clubes. Mas está bonito ver (algumas, que fique bem claro) declarações de dirigentes. Vou inventar declarações de clubes que resumem o pensamento deles para o Mercado de Transferência 2014 - A Edição de Gelo:

Corinthians: “Tenho R$ 10 milhões para contratação, e só.”
Flamengo: “Desisto oficialmente de Elias, muito caro, fora do nosso orçamento.”
Atlético-MG: “Não é só você não Flamengo, ninguém no Brasil pode pagar isso pelo Elias.”
Palmeiras: “Preciso de novos jogadores, mas não tenho dinheiro.”
Botafogo: “Torcedor, infelizmente, o Jorge Wagner é a única contratação que posso fazer para Libertadores. Ah! O meu treinador é um cara da minha base.”
Fluminense: “Calma pessoal, a UNIMED ‘tá’ pagando tudo.”

Ok, essa última já é antiga. E não tão boa assim para o Fluminense. Mas por enquanto (vou continuar frisando isso que isso pode acabar em dois dias) a verdade é que as maluquices para tentar trazer medalhões, outro termo que ainda não ouvi esse ano, não estão sendo feita pela maioria dos clubes. O Corinthians não fechou com o Cícero por causa do salário, o Flamengo preferiu não fazer a solução usual e pedir adiantamento de TV para deixar o Elias no time, e o Kalil realmente disse para ESPN: “Elias?! Ninguém no Brasil tem esse dinheiro.” 

Talvez os clubes estejam sendo dirigidos pela primeira vez por administrações responsáveis. (Essa é minha pose pensando nisso). Não. Aí é muito para eu desejar. Vou me contentar com: os clubes estão sendo dirigidos por pessoas que vão aguentar um pouco mais a pressão da torcida por resultados, mas não sei por quanto tempo. Quanto tempo até um deles pagar um salário gigante pelo Robinho? Por enquanto, sou um otimista. E vejo um futuro mais responsável nos gastos com contratações.

Um abraço!

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