Em busca do
título dentro de casa, Felipão convocou os 23 jogadores que vão fazer parte do
grupo do Brasil na Copa do Mundo em junho. A maioria de atletas que estão na
Europa, com idade média de 26 anos e pouca experiência em mundiais da FIFA.
Nenhuma grande surpresa, a exceção de Henrique, já que todos queriam Miranda,
embora achassem que Dedé fosse chamado. Quatro do Brasil, seis da Inglaterra, três
da Espanha, três da Itália, dois da França, dois da Alemanha, um dos Estados
Unidos, um da Rússia e um da Ucrânia. São 23 jogadores que jogam em nove ligas
diferentes.
Nenhum
desses dados me interessa, mas eu quero destacar um número. Dos 23 convocados,
16 participaram da Copa das Confederações um ano atrás. Na posição de terceiro
goleiro, Victor substituiu Diego Cavalieri. Os laterais Jean e Filipe Luís
foram trocados por Maicon e Maxwell. Henrique entra no lugar do Réver. Fernando
sai para Fernandinho entrar e William foi chamado no lugar do Jadson. Muito
parecido com o que fez Dunga há quatro anos. Na ocasião, o treinador repetiu 17
nomes entre os que jogaram a Copa das Confederações em 2009. E olha que um dos
nomes mais contestados até hoje, Grafite, nem estava na competição de
preparação para Copa.
Isso muito
me preocupa. Confiar totalmente em um time que jogou brilhantemente um ano
antes. Dunga fechou o grupo ao vencer a Copa das Confederações, blindou todo os
jogadores e apoiou sem pensar nas consequências. Felipão praticamente fez a
mesma coisa. Repetiu jogadores de confiança pelo que o time fez na Copa das
Confederações. Além disso, a inovação no grupo e nome mais contestado, assim
como Grafite, também não jogou na competição um ano antes. Os brilhos que jogadores
tiveram no torneio de 2013 foram levados em conta para convocação do treinador
na tarde de ontem.
Mas muita
coisa muda em um ano. Quantas vezes você não viu jogadores se destacarem em um
torneio e depois sumirem. Só o Flamengo tem 300 exemplos assim, vide Hernane no
ano passado. O Acosta (lembra dele?) foi parar no Corinthians depois de um
ótimo 2008. Não deu em nada. Fora os pontos fora da curva, a carreira dos
atletas, até dos bons jogadores, tem altos e baixos, e precisa-se levar em
consideração quando trata-se de uma Copa do Mundo. Se há um mês da competição
você não está bem, não vai para Copa. Deveria ser simples assim.
Claro, não
estou falando de grandes craques. “Ah, o Ronaldo estava contundido em 2002.”
Sim, mas o Ronaldo é um caso diferente. Ele é acima da média. Assim como
Neymar, que mesmo machucado e não decisivo como se esperava no Barcelona. Ele
tem que ir. Ou em escala menor, o Oscar, que hoje é reserva. Desconsiderando
preferências do Mourinho, nenhum treinador ia deixar um jogador no banco, se
ele estivesse arrebentando. Mas o Oscar tem que ir. Até mesmo o Paulinho, que
não é um grande craque do futebol mundial, tem que ir. Foi o terceiro melhor da
Copa das Confederações, essencial no título Brasileiro e Libertadores do
Corinthians e faz muitos gols.
De quem
estou falando então? Vou falar de nome por nome. Júlio César. Mais do que o
Henrique, os torcedores precisavam ficar indignados com o nome do goleiro. Só
não tanto, se ele for o terceiro goleiro, e não titular. Ainda existe essa
chance! A convocação não estabelece posição de titular, mesmo que a ordem dos
nomes possa dar uma indicação. Mas Júlio César não desce. Com nomes melhores na
disputa, é difícil engolir essa.
Henrique.
Esse “é da confiança”, disse Felipão. Se ele confia tanto no cara, porque ele
não é titular? Se ele é um cara de grupo, leva ele de convidado. Mas com
Miranda jogando tanto, e fazendo parte da melhor defesa da Europa, o Felipão
leva um jogador só porque foi bem com ele no Palmeiras. Isso prova que sem
sombras de dúvidas a seleção é dele, não do Brasil. Treinador tem que ter suas
preferências até certo ponto. Duvido que o Parreira tenha concordado com essa
escolha. Henrique na Copa do Mundo é uma piada.
Luiz Gustavo.
Esse causa menos indignação, mas é o principal jogador que prova meu ponto.
Quem é Luiz Gustavo? Em nenhum time que jogou, foi essencial. Nunca foi uma
grande estrela. Foi destaque na Copa das Confederações em uma posição que não
costuma jogar, primeiro volante. Logo depois do torneio, saiu do Bayer de
Munique pois sabia que ia para reserva. Foi para o Wolfsburg, quinto no
Campeonato Alemão. Sabe quem poderia ir no lugar dele? Lucas Leiva. Tudo bem,
reserva no Liverpool. Mas joga em um time que luta pelo título do campeonato
mais difícil do mundo e joga na posição de primeiro volante. Nada contra o Luiz
Gustavo, muito bem no torneio de 2013. Mas ele joga com o brilho de junho do
ano passado.
Jô e
Bernard. Vou falar dos dois juntos pois já estou com preguiça de escrever.
Ambos essências no título da Libertadores do Atlético Mineiro, e muito bem na
Copa das Confederações. Ambos em fases ruins. Jô ainda no Atlético, e Bernard
no Shaktar. Para falar a verdade, nem sei como está o Bernard. As últimas
notícias que tive dele é de uma preocupação com a situação Rússia x Ucrânia.
Só. Acho que isso é um mau sinal. Sabe quem eu ouço falar sempre? Lucas do PSG.
Concordei toda vez que ele foi convocado, e toda vez que ele não foi. Mas acho
que ele poderia estar na Copa.
Ainda estou
com preguiça de escrever, e com medo do texto já estar muito grande. Então vou
ser sucinto a partir de agora. Philippe Coutinho no lugar de Hernanes. Felipão
cometeu os mesmos erros de Dunga, mas acredito que a força torcida possa
equilibrar a Copa do Mundo e dar a chance do Brasil ser campeão.



Nenhum comentário:
Postar um comentário