8 de mai. de 2014

Convocação do Brasil: Seis nomes que entraram no Efeito Copa das Confederações


Em busca do título dentro de casa, Felipão convocou os 23 jogadores que vão fazer parte do grupo do Brasil na Copa do Mundo em junho. A maioria de atletas que estão na Europa, com idade média de 26 anos e pouca experiência em mundiais da FIFA. Nenhuma grande surpresa, a exceção de Henrique, já que todos queriam Miranda, embora achassem que Dedé fosse chamado. Quatro do Brasil, seis da Inglaterra, três da Espanha, três da Itália, dois da França, dois da Alemanha, um dos Estados Unidos, um da Rússia e um da Ucrânia. São 23 jogadores que jogam em nove ligas diferentes.

Nenhum desses dados me interessa, mas eu quero destacar um número. Dos 23 convocados, 16 participaram da Copa das Confederações um ano atrás. Na posição de terceiro goleiro, Victor substituiu Diego Cavalieri. Os laterais Jean e Filipe Luís foram trocados por Maicon e Maxwell. Henrique entra no lugar do Réver. Fernando sai para Fernandinho entrar e William foi chamado no lugar do Jadson. Muito parecido com o que fez Dunga há quatro anos. Na ocasião, o treinador repetiu 17 nomes entre os que jogaram a Copa das Confederações em 2009. E olha que um dos nomes mais contestados até hoje, Grafite, nem estava na competição de preparação para Copa.

Isso muito me preocupa. Confiar totalmente em um time que jogou brilhantemente um ano antes. Dunga fechou o grupo ao vencer a Copa das Confederações, blindou todo os jogadores e apoiou sem pensar nas consequências. Felipão praticamente fez a mesma coisa. Repetiu jogadores de confiança pelo que o time fez na Copa das Confederações. Além disso, a inovação no grupo e nome mais contestado, assim como Grafite, também não jogou na competição um ano antes. Os brilhos que jogadores tiveram no torneio de 2013 foram levados em conta para convocação do treinador na tarde de ontem.

Mas muita coisa muda em um ano. Quantas vezes você não viu jogadores se destacarem em um torneio e depois sumirem. Só o Flamengo tem 300 exemplos assim, vide Hernane no ano passado. O Acosta (lembra dele?) foi parar no Corinthians depois de um ótimo 2008. Não deu em nada. Fora os pontos fora da curva, a carreira dos atletas, até dos bons jogadores, tem altos e baixos, e precisa-se levar em consideração quando trata-se de uma Copa do Mundo. Se há um mês da competição você não está bem, não vai para Copa. Deveria ser simples assim.

Claro, não estou falando de grandes craques. “Ah, o Ronaldo estava contundido em 2002.” Sim, mas o Ronaldo é um caso diferente. Ele é acima da média. Assim como Neymar, que mesmo machucado e não decisivo como se esperava no Barcelona. Ele tem que ir. Ou em escala menor, o Oscar, que hoje é reserva. Desconsiderando preferências do Mourinho, nenhum treinador ia deixar um jogador no banco, se ele estivesse arrebentando. Mas o Oscar tem que ir. Até mesmo o Paulinho, que não é um grande craque do futebol mundial, tem que ir. Foi o terceiro melhor da Copa das Confederações, essencial no título Brasileiro e Libertadores do Corinthians e faz muitos gols.


De quem estou falando então? Vou falar de nome por nome. Júlio César. Mais do que o Henrique, os torcedores precisavam ficar indignados com o nome do goleiro. Só não tanto, se ele for o terceiro goleiro, e não titular. Ainda existe essa chance! A convocação não estabelece posição de titular, mesmo que a ordem dos nomes possa dar uma indicação. Mas Júlio César não desce. Com nomes melhores na disputa, é difícil engolir essa.


Henrique. Esse “é da confiança”, disse Felipão. Se ele confia tanto no cara, porque ele não é titular? Se ele é um cara de grupo, leva ele de convidado. Mas com Miranda jogando tanto, e fazendo parte da melhor defesa da Europa, o Felipão leva um jogador só porque foi bem com ele no Palmeiras. Isso prova que sem sombras de dúvidas a seleção é dele, não do Brasil. Treinador tem que ter suas preferências até certo ponto. Duvido que o Parreira tenha concordado com essa escolha. Henrique na Copa do Mundo é uma piada.

Luiz Gustavo. Esse causa menos indignação, mas é o principal jogador que prova meu ponto. Quem é Luiz Gustavo? Em nenhum time que jogou, foi essencial. Nunca foi uma grande estrela. Foi destaque na Copa das Confederações em uma posição que não costuma jogar, primeiro volante. Logo depois do torneio, saiu do Bayer de Munique pois sabia que ia para reserva. Foi para o Wolfsburg, quinto no Campeonato Alemão. Sabe quem poderia ir no lugar dele? Lucas Leiva. Tudo bem, reserva no Liverpool. Mas joga em um time que luta pelo título do campeonato mais difícil do mundo e joga na posição de primeiro volante. Nada contra o Luiz Gustavo, muito bem no torneio de 2013. Mas ele joga com o brilho de junho do ano passado.

Jô e Bernard. Vou falar dos dois juntos pois já estou com preguiça de escrever. Ambos essências no título da Libertadores do Atlético Mineiro, e muito bem na Copa das Confederações. Ambos em fases ruins. Jô ainda no Atlético, e Bernard no Shaktar. Para falar a verdade, nem sei como está o Bernard. As últimas notícias que tive dele é de uma preocupação com a situação Rússia x Ucrânia. Só. Acho que isso é um mau sinal. Sabe quem eu ouço falar sempre? Lucas do PSG. Concordei toda vez que ele foi convocado, e toda vez que ele não foi. Mas acho que ele poderia estar na Copa.

Ainda estou com preguiça de escrever, e com medo do texto já estar muito grande. Então vou ser sucinto a partir de agora. Philippe Coutinho no lugar de Hernanes. Felipão cometeu os mesmos erros de Dunga, mas acredito que a força torcida possa equilibrar a Copa do Mundo e dar a chance do Brasil ser campeão. 

1 de mai. de 2014

3 PONTOS | Resultados da final da Liga dos Campeões

Pela primeira vez na história da Liga dos Campeões, dois times da mesma cidade vão fazer a final: Atlético de Madrid e Real Madrid. Quem diria? Um fato histórico que poderia ter acontecido entre Chelsea x Arsenal, Manchester City x Manchester United ou Inter de Milão x Milan, ocorreu justamente em um país criticado pela polarização de dois times, que são de cidades diferentes. Ao escolher os finalistas, o Real Madrid talvez fosse uma aposta mais certa. Mas quem diria que o Atlético teria cinco vitórias na primeira fase? Que eliminaria o Milan, mesmo em crise? E o Barcelona?! E o Chelsea? É uma campanha impressionante, e invicta.

Os merengues eram mais prováveis sim, mas vamos levar em consideração que os galácticos não chegam a uma final de Liga dos Campeões há 14 anos. E nós nunca devemos brincar com as escolhas dos deuses do futebol. Eles deixaram o Corinthians sem título por 21 anos. Eles fizeram o Milan marcar 3x0 em uma final de Liga dos Campeões, e ainda assim perder o título. Os deuses do futebol gostam de uma boa história. Está marcado na história do Corinthians o fim da fila em 1977. O Liverpool fez uma das finais mais inesquecíveis da história da Liga dos Campeões. Nunca se sabe o planejamento dos deuses do futebol para o Real Madrid. O maior campeão do torneio fora da final por 14 anos. E se eles quisessem deixar o merengue fora por 20 anos?  E se a história for tudo isso para perder a final? E se o Atlético de Madrid for campeão por que vai fechar a defesa? Quem aposta?

1 | Real Madrid vence


Quem tem Cristiano Ronaldo sempre entra como favorito, não importa com quem jogue. Hoje em dia, nem com Messi e Neymar em campo. O craque português é decisivo. Ele não é só bom, gênio, driblador, sabe a arte de jogar futebol, joga bonito... ele é excelente em fazer o que mais importa no futebol: gol. E sem ser aquele camisa 9 que fica na área esperando os outros criaram as jogadas. Na velocidade, ele é praticamente imbatível. Só o Cristiano Ronaldo tem 15 gols, enquanto o Atlético de Madrid tem 25 na competição. Mesmo assim, ele não ganha jogos sozinho, ele precisa de um time. Casillas, Pepe, Sérgio Ramos, Di Maria, Bale e Benzema são suficientes para isso?

2 | Atlético de Madrid vence



O Atlético enfrentou duas vezes o Real esse ano. Ganhou o primeiro jogo de 1x0 e empatou no segundo turno do Espanhol em 2x2. Ah, mas venceu com a ajuda da torcida, e na final da Liga não vai ter isso! Peraí, a vitória foi no Santiago Bernabéu?! Se tem um time que pode surpreender não importa onde jogue, esse é o time de Simeone. Pergunte a Barcelona e Chelsea. Um não conseguiu vencer nenhum dos cinco jogos que fez esse ano*, o outro só precisava de uma vitória simples no seu estádio com um treinador com histórico de vencer em casa e levou 3x1. Se tem uma coisa que o Atlético de Madrid sabe é derrubar times mais fortes e apostadores.

3 | Empate e decisão nos pênaltis



Disputa de pênalti não é loteria, mas é difícil de prever. Nem sempre o melhor time, e nem o que fez o melhor jogo, vence a série. Tudo depende do nervosismo dos jogadores, quem está em campo para bater, poder de decisão deles, entre outros fatores. A única certeza, mostrada por estatísticas, é que times da casa tem mais vantagem, com quase 70% de vitórias. Mas e se o jogo é em campo neutro? De quem é a vantagem? Quero dizer, o jogo pode terminar empatado, e tudo o que foi ditos nos pontos 1 e 2 desse texto fica para trás. Ser campeão nos pênaltis não vai significar o poder de decisão de Cristiano Ronaldo com sua companhia de craques, e nem a força do Atlético de Madrid contra times mais fortes. E apostar em empate é uma boa escolha, levando em consideração: o Atlético de Madrid empatou com Chelsea em casa, com Barcelona quatro vezes, com o Real Madrid uma. Se não for dia de Diego Costa, o time de Simeone vai buscar o empate.


* Foi campeão da Supercopa da Espanha com dois empates. Ainda tem um jogo na última rodada do Espanhol.