O Brasil realmente jogou bem contra a Inglaterra? Tenho
minhas dúvidas, apesar de ouvir quase todos os comentaristas elogiando a seleção.
Claro que o Brasil atacou mais que o time inglês, até porque jogava em casa e
jogava como se valesse três pontos. A Inglaterra jogava como preparação... para
as eliminatórias, se pensarmos que os ingleses não estarão na Copa das
Confederações.
Mas então o que foi o volume de jogo da seleção brasileira,
se não um bom jogo? Eu seriamente acredito que foram lapsos dos bons jogadores.
O Neymar é o melhor do Brasil, o Fred é o goleador no Brasil, o Oscar, Lucas,
Paulinho, Bernard, Hernanes e, sim, o Hulk também é bom.
Nós temos bons, excelentes, jogadores. Quando vão para jogo,
tem grandes chances de fazer boas jogadas, e assim o fizeram contra a
Inglaterra. Quando descia o espírito, o Oscar ia pela direita e fazia grande
jogada, tanto que foi o melhor do primeiro tempo.
O Hulk também jogou bem, embora ter sido injustamente
vaiado. É um jogador com vontade e força, e o futebol ainda é um esporte, e o
esporte ainda exige força física. E ele não é um perna de pau.
Hoje, as jogadas do Brasil não são construídas, são
intuitivas por causa dos jogadores. Os gols não foram ‘nascendo’ aos poucos,
com a pressão. O primeiro se deve ao talento do chute de Hernanes, com o
oportunismo de Fred. O segundo se deve ao talento da velocidade e drible de
Lucas e de Paulinho como surpresa no ataque, sua principal jogada.
Outra prova de um time mal treinado: a defesa. Nós temos o
melhor zagueiro do mundo (Thiago Silva), unido com um dos melhores (David Luiz),
e bons volantes, mas conseguimos tomar gol em todos os amistosos, com exceção
do contra Bolívia, que não, não, não... não conta.
Ao contrário do ataque, que pode surgir com o talento, a
defesa precisa ser treinada, na qual os jogadores agem em conjunto. Se um
jogador sai para marcar, o outro cobre, um zagueiro precisa saber como o outro
atua, e tudo isso precisa ser treinado.
O que deve ser entendido do texto, embora não tenha
mencionado seu nome: o Felipão já não é mais o treinador campeão de 2002.
Agora, ele é o treinador que quer o Paulinho jogando o que joga no Corinthians,
mas sem dá-lo liberdade. Que coloca o Lucas no banco (sim, falei bem do Hulk no
começo. Ele é bom, jogou bem, merece a convocação, mas já está mais do que na hora
do Lucas começar um jogo!). Que não colocou o Marcelo como titular...
E que venha a Copa das Confederações, que deve expor todos
os erros táticos e de formação de time do Brasil, ou que deve consagrar uma
geração de bons, excelentes, jogadores.
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